Brasil Bolsonaro
Moraes concede prisão domiciliar a Jair Bolsonaro por um período de 90 dias.
O prazo terá início após a alta hospitalar do ex-presidente. O ministro acatou o parecer da Procuradoria-Geral da República, que se posicionou a favor da flexibilização. Bolsonaro encontra-se internado para tratamento de broncopneumonia.
24/03/2026 14h54
Por: Ivan Oliveira

O Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpra sua pena em regime de prisão domiciliar por um período de 90 dias, visando a recuperação de um quadro de broncopneumonia.

Após o término deste período, os critérios para a manutenção ou não da prisão domiciliar humanitária serão reavaliados.

"O ambiente domiciliar é o mais indicado para preservação de sua saúde, uma vez que, conforme literatura médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, o processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões, com retorno da força, fôlego e disposição, pode durar entre 45 (quarenta e cinco) e 90 (noventa) dias", diz a decisão de Moraes.

Adicionalmente, o senhor Bolsonaro deverá fazer uso de tornozeleira eletrônica e estará impedido de utilizar smartphones, celulares, telefones ou quaisquer outros meios de comunicação, inclusive por intermédio de terceiros. O ex-presidente também não poderá fazer uso de redes sociais, nem gravar vídeos ou áudios.

O ministro Moraes deferiu um pleito da defesa do senhor Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à flexibilização do regime, em virtude do quadro de saúde do ex-presidente.

Moraes compreendeu que o local onde o senhor Bolsonaro cumpre pena, conhecido como Papudinha, possui plenas condições de assegurar a "saúde e dignidade" do ex-presidente.

O ministro considerou a alegação dos advogados de que “a gravidade e a rápida evolução do quadro clínico [do senhor Bolsonaro] foram igualmente evidenciadas pelo exame de imagem realizado no contexto da internação".

Jair Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado. Ele estava sob custódia na Papudinha, em Brasília. Em 13 de março, deixou a unidade prisional devido a um quadro de broncopneumonia que exigiu internação.

Bolsonaro passou mal e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital para tratar de uma pneumonia decorrente de broncoaspiração.

Na decisão, Moraes faz um balanço dos at endimentos e atividades de Bolsonaro na prisão entre 15 de janeiro e 11 de março:

  • recebeu atendimento médico permanente e diário em 206 ocasiões diferentes, três 3 vezes ao dia;
  • recebeu visitas permanentes sem necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e enteada;
  • recebeu 40 visitas de terceiros solicitadas pela defesa;
  • fez 18 sessões de fisioterapia;
  • fez 48 sessões de atividades físicas (caminhada);
  • recebeu atendimento por seus advogados em 40 (quarenta) dias;
  • recebeu assistência religiosa, inclusive com serviços de capelania, em seis dias.

O boletim médico mais recente, divulgado nesta terça-feira (23), informa que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou "evolução favorável" e a transferência da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um quarto regular está prevista para as próximas 24 horas.

Na semana passada, o médico cardiologista Brasil Caiado afirmou que os exames têm demonstrado melhora, mas a evolução do quadro ainda é lenta. O ex-presidente permanece "clinicamente estável" e poderá receber alta se a evolução se mantiver "satisfatória".

Saúde do ex-presidente Bolsonaro
Esta não é a primeira vez que o ex-presidente Bolsonaro necessita de atendimento médico desde sua prisão. Em setembro do ano passado, por exemplo, quando ainda estava em prisão domiciliar, ele precisou de assistência médica. Na ocasião, ele apresentou quadro de vômitos, tontura e queda da pressão arterial.