
MANAUS – Em um movimento considerado histórico para a infraestrutura da Região Norte, o Ministério dos Transportes assinou, nesta terça-feira (31), as ordens de serviço para o início da pavimentação do "trecho do meio" da rodovia BR-319. A estrada, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), aguarda a conclusão de seu asfaltamento há mais de quatro décadas.
Saullo Vianna lembrou que, graças à união da bancada federal do Amazonas, foi aprovada, ano passado, emenda do senador Eduardo Braga à MP 1.308/2025, que flexibilizou o licenciamento para obras já existentes e consideradas estratégicas.
Luta desde o início do mandato - Desse que assumiu o mandato de deputado federal, em 2023, Vianna, os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga, entre outros parlamentares, tiveram reuniões com o ministro Renan Filho oferecendo sugestões técnicas e financeiras para o asfaltamento da estrada.

O projeto, orçado em R$ 670 milhões, foca inicialmente na recuperação e pavimentação de 40 quilômetros entre as localidades de Humaitá e Realidade. Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, o cronograma prevê a abertura de editais para três lotes de manutenção e pavimentação (do km 250 ao km 590) já em abril, com o início efetivo das máquinas na pista em maio.
Para o deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM), o anúncio é fruto de uma pressão contínua da bancada amazonense no Congresso Nacional.
"Hoje é um dia histórico. Nossa única alternativa de ligação rodoviária do Amazonas ao país será, finalmente, concluída. Isso significa tirar a população de um isolamento que encarece o custo de vida e emperra nosso desenvolvimento", afirmou o parlamentar.
Vianna destacou que a viabilidade da obra ganhou fôlego em 2025, após a aprovação de uma emenda do senador Eduardo Braga à MP 1.308/2025. O texto flexibilizou o licenciamento ambiental para obras em rodovias já existentes e consideradas estratégicas, permitindo o avanço dos trâmites legais.
Além do asfalto, foi autorizada a construção da ponte sobre o Rio Igapó Açu (km 260). Atualmente, a travessia no local é feita exclusivamente por balsas, o que gera gargalos logísticos. A nova estrutura será a maior de toda a rodovia.

A precariedade da BR-319 é um problema crônico. Inaugurada em 1976 e abandonada 12 anos depois por falta de manutenção, a via possui apenas 34% de sua extensão pavimentada. O "trecho do meio", com cerca de 405 km, torna-se praticamente intransitável durante o inverno amazônico devido à lama, isolando o estado por terra.
O histórico de abandono da rodovia reflete não apenas no bolso do consumidor, mas também na saúde pública. O deputado Saullo Vianna relembrou que, durante a pandemia de Covid-19, a ausência de uma estrada trafegável dificultou a chegada de cilindros de oxigênio e insumos hospitalares a Manaus, agravando a crise sanitária.
Economicamente, manter a via precária custa caro aos cofres públicos. De acordo com análises de relatórios ambientais e contratos do DNIT:
O desafio agora é conciliar a engenharia com a preservação ambiental, dado que a rodovia atravessa áreas densas de floresta. "O que queremos é avançar com responsabilidade, garantindo desenvolvimento sem abrir mão da preservação ambiental", pontuou Vianna, reforçando que o asfaltamento trará dignidade às famílias que dependem da estrada para transporte e subsistência.